07/10/2017

Nova edição de O BANDEIRANTE

O BANDEIRANTE - nº 299 - Outubro de 2017 

(clique na capa abaixo para fazer download)

Na edição de outubro de 2017 do jornal "O Bandeirante" você encontrará o noticiário do período e na parte literária os textos em prosa e verso destes escritores: Sérgio Perazzo, Walter Whitton Harris, Roberto Antonio Aniche, Josef Tock, Márcia Etelli Coelho e Gertrudes Focássio.

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

05/10/2017

ALGO MUITO INESPERADO


            Não há como esquecer aquela manhã. Animados, meu marido e eu,  para enfrentar a estrada do Guarujá até Ilha  Bela, pois estávamos de férias,  já nos preparávamos para partir.
            Por volta de umas nove ou dez horas tudo pronto. Mas como a televisão estava  ligada, de repente uma visão terrível: um avião vai de encontro a um edifício altíssimo de duas torres  em Nova York. Um repórter em altos brados anunciava o desastre, que estava sendo visto pelo mundo todo. Naturalmente esse acidente, ou melhor, esse ataque deixou o mundo todo estupefato. No meu pensamento no primeiro momento, ainda achava que talvez fosse uma daquelas cenas de ilusionismo, muito bem montadas para impressionar, que muitas vezes aparecem na televisão. Mas o locutor da TV, parecendo assustado,  avisava que a cena era real.
Estarrecidos ainda esperamos um pouco para ver do que se tratava. Era um ataque verdadeiro: o mundo todo pôde assistir àquela barbaridade. Inúmeras  pessoas perderam a vida nesse acidente  nas torres Gêmeas, como era chamado o conjunto de edifícios naquela cidade.  
Pouco tempo depois, meu irmão muito aborrecido nos contou do amigo que havia morrido naquele  acidente. Era um grande amigo de infância, filho único de um casal que morava próximo dos  meus pais. Os dois iam sempre andar de bicicleta pelo bairro. Às vezes a mãe vinha preocupada,  procurar o filho porque  senão ele perderia o horário da escola.
            Este ano, fui com uma filha,  visitar e assistir à formatura de dois netos, engenheiros que haviam ido realizar pós-graduação  nos Estados Unidos. Aproveitei para passear pelas cidades onde estavam vivendo: Evanston ao lado de Chicago e Philadelphia e encerrar a viagem  em Nova York.
            Naturalmente Nova York oferece muita coisa interessante para se assistir, visitar e aproveitar a cidade. Museus, galerias de arte, tudo grandioso e bem cuidado, especialmente bem cuidado!  Um dos monumentos que não podíamos deixar de ver,  era o que havia sido construído em homenagem a todos que haviam morrido no ataque às torres gêmeas. Fica bem no centro na cidade.
             Não sou cismada nem costumo querer encontrar respostas para tudo que nos acontece, mas diante do monumento lembrei-me de repente de alguma coisa que já não podia contar como sendo minha. E por uma razão especial senti que voltava para um passado tão agradável num bairro calmo, na casa de meus pais e minha juventude.
            Por que seria?
            Grandioso e interessante, é um monumento, circular, formado  por um pequeno muro todo de pedra, e junto às  paredes internas, cai água continuamente para dentro como se fosse  um enorme poço. A mureta, de mais ou menos uns  60 centímetros de altura, é larga e na sua superfície um número imenso de  placas de metal com os nomes de todos que perderam a vida nesse terrível  ataque às torres Gêmeas.
            Realmente uma homenagem muito bonita para algo que foi muito mais do que triste. De grande violência causou um grande  choque no mundo todo.
            Não sou cismada nem costumo achar  que isto ou aquilo acontece por alguma razão e que preciso encontrar uma resposta para tudo que me cerca ou me acontece. Mas há fatos, coincidências  estranhas, inexplicáveis que nos  causam surpresa ou  talvez mesmo um susto.
            Ao me aproximar do  muro de pedra, entre algumas placas  me deparei com uma placa, com  um nome que eu conhecia. Eu não queria acreditar! Era mesmo o nome daquele  amigo do meu irmão. Senti-me assustada diante de um fato que não saberia explicar. Jamais iria procurar tal nome no meio de um sem número de placas que ali guardavam os nomes dos que havia desaparecido nesse terrível desastre.
            Que estranho! Mas creio que entre tantas vidas que se perderam no acidente, aquele devia ser o  único nome   que eu conhecia. Não pude deixar de fotografar a placa com o nome do Ivan.
             E ao  deixar o monumento, ainda impressionada imaginei que talvez meu irmão, que já faleceu e o amigo pudessem ter se encontrado noutra vida, como bons companheiros que tinham sido.

MARIA DO CÉU COUTINHO LOUZÃ

02/10/2017

METAFÍSICA


Aristóteles nos ensina a enxergar
A enxergar com os olhos da visão
Em sua plenitude e no detalhe
A longitude, latitude e altitude.

Apreendermos os detalhes das cores
A dimensão, quantidade, volume.
Só assim conheceremos pela visão
O desconhecido, ignorado, cético.

Na metafisica enxergamos pela visão,
Não do olho, mas o da mente.
Pela percepção extra-sensorial.
Através do silogismo e da logica.

A filosofia através da razão
Busca a verdade manifesta
Através do intelecto intuitivo,
A visão metafisica, a espiritual.


JOSÉ FRANCISCO FERRAZ LUZ

30/09/2017

PIRAJÁ


Pirajá é um simpático bar e restaurante localizado na esquina da Faria Lima com a R. Padre Carvalho, em Pinheiros - SP. Ambiente descontraído com boa comida, bebidas na dose e temperatura corretas, garçons solícitos e uma agradável música ambiente com decibéis apropriados para meus geriátricos tímpanos!
Aí, fiquei matutando o que significava a palavra Pirajá! Trata-se de um termo de origem tupi que indica “o que está cheio de peixes”, viveiro de peixes. O interessante é que no cardápio, deste estabelecimento, só constam três pratos à base de pescado. Portanto, o que teria a ver o nome do bar com a origem da palavra?
Com esta denominação, sei que há um bairro em Salvador, algumas cidades, riachos, cachaça fabricada em Paraty e batalha. Aliás, a Batalha de Pirajá ocorreu durante a guerra de Independência do Brasil, na então Província da Bahia, em 08 de novembro de 1822, quando o Exército Pacificador brasileiro botou prá correr os portugueses quando tentavam impedir que nosso país conseguisse a sua independência.
Nesta contenda, é descrito um interessante episódio. O Major Barros Falcão, que comandava as tropas brasileiras, ordenou ao corneteiro Luís Lopes que tocasse a retirada. Não se sabe se por engano ou por conta própria, este corneteiro deu o toque para a cavalaria avançar e degolar. O mais curioso é que não havia nenhuma tropa de cavalaria no local! Porém, os portugueses entraram em pânico e fugiram esbaforidos, o que permitiu que os brasileiros se recompusessem, vencendo a peleja.
Há uma estátua do Corneteiro Luís Lopes localizada, atrás de um poste, numa esquina da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema- RJ, de autoria do artista Ique. O mais curioso é que a estátua parece estar apontando um fuzil, apesar da forma ser de uma corneta! Será que este corneteiro continua atento conclamando os brasileiros para avançar e combater os corruptos deste país?
E quem foi o Visconde de Pirajá? Na época era conhecido no interior baiano, como Coronel Santinho e foi um dos principais heróis da guerra de Independência do Brasil, lutando contra as tropas portuguesas na Bahia. Imaginem que, para financiar o confronto, comprometeu todos seus recursos financeiros. D. Pedro I, reconhecendo os inestimáveis serviços prestados à Pátria, concedeu-lhe o título de visconde.
Voltando ao Pirajá Paulista, enquanto apreciava a minha refeição, ouvi a música de autoria de Noel Rosa – Conversa de Botequim (1935), que me chamou a atenção para essa parte da letra: Telefone ao menos uma vez/ Para três quatro, quatro, três, três, três/ E ordene ao seu Osório/ Que me mande um guarda-chuva/ Aqui pro nosso escritório...Excelente ideia, pensei! Vou montar aqui o meu escritório. Já escolhi a mesa num local ventilado e bem iluminado do salão, elegi o meu garçom predileto e decorei o número do telefone do estabelecimento. Falta só imprimir o cartão com a nova direção. Vou providenciar a mudança e é prá já e meu destino certo é o Pirajá!


EVANDRO GUIMARÃES DE SOUSA

28/09/2017

MAGIA


Um dia
Tirei da cartola
Um sol amarelo
Que joguei pro alto
E se prendeu no céu.

Depois
Lentamente
A primavera
Vestida de flores.

Ainda tirei da cartola
O canto de um rouxinol
E um pássaro invisível
Que realmente voou entre as nuvens.


SÔNIA ANDRUSKEVICIUS DE CASTRO


24/09/2017

AMOR DE PRIMAVERA


Meu amor é como a primavera
Cheio de flores.          
Chegou o verão passou o inverno
Chegou outono levou as flores.
Nosso amor trouxe de volta a primavera
Como não amar-te agora
Que sinto teu corpo, tua alma
Eu te amo e me entrego por inteiro
Como não amar-te se venceste ao tempo
Como não amar-te com tão nobre sentimento
Como não amar-te com meu amor de poeta
Como não amar-te em silêncio
Como não amar-te a gritos
Como não amar-te se trouxeste
De volta a primavera.


MELIDA VELASCO CASSANELLO

17/09/2017

SONHOS E FUGAS


Sim, lembro-me bem. Era uma tarde outonal, de céu límpido e temperatura bem mais amena do que fora a noite. As folhas caídas forravam as ruas nas quais eu flanava, tentando espiar as preocupações que sempre me afligiram.

Já na meia idade não me era permitido mais as ilusões da juventude. Afinal é o momento em que a realidade se impõe sobre os sonhos que, ainda assim, buscamos em nosso íntimo.  Subitamente meus pensamentos são bloqueados pela visão que surge à minha frente. 

Impossível não a observar. Suas longas pernas contrastavam com seu corpo. Mantinha a cabeça ereta, tal como fazem os determinados. Seus grandes olhos pareciam dominar o ambiente e a tudo observa.

Tentei alcançá-la, mas ela rapidamente se afastou.  Estes encontros se repetiram nos dias que se sucederam.  A cada encontro uma nova fuga. Nenhum contato mais próximo ocorreu. Até que por fim não mais a vi. Com certeza encontrou um lugar seguro onde não mais era necessário fugir de ninguém.

A busca quase frenética em revê-la fez com que naqueles dias não mais pensasse na juventude, que de resto já não mais existia em mim, ou nos sonhos não realizados.

Como legado ficaram seu canto que escutava quando de mim fugia e a lembrança de seu corpo de cor acastanhada, de sua crista e seu longo bico vermelho, características que nos permite identificar as Seriemas, que nos cerrados encontram o seu lar !!!!

Teria sido a determinação em não se deixar ser invadida a lição que devemos aprender para realizar nossos sonhos?


MARIO SANTORO JUNIOR

12/09/2017

O SABER


Pouco Valeria saber se não pudesse transmitir;
Pouco Valeria transmitir se não pudesse contribuir;
Pouco Valeria contribuir se não pudesse partilhar;
Pouco Valeria partilhar se não pudesse somar;
Pouco Valeria somar se não pudesse multiplicar;
Pouco Valeria multiplicar se não pudesse dividir;
Pouco Valeria dividir se não pudesse diminuir a dor,
o sofrimento, a ansiedade, a espera, a angustia...
Ai, sim! Valeria a pena saber sabendo saborear o sabor pelo saber.

JUAREZ MORAES DE AVELAR


02/09/2017

O BANDEIRANTE - EDIÇÃO ESPECIAL

O BANDEIRANTE - nº 298 - Setembro de 2017 

(clique na capa abaixo para fazer download)

A edição especial de setembro de 2017 do nosso jornal "O Bandeirante" tem 12 páginas e está imperdível. Nele você encontrará o noticiário do período, em especial um painel fotográfico da XIV Jornada Médico Literária Paulista; na parte literária publicamos os textos vencedores dos concursos de prosa e verso do evento. São eles: Josyanne Rita de Arruda Franco, Nelson Jacintho, Luiz Jorge Ferreira, Sérgio Augusto de Munhoz Pitaki, José Warmuth Teixeira e Márcia da Silva Sousa.

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

31/08/2017

VENCEDORES XIV JORNADA MÉDICO LITERÁRIA PAULISTA SOBRAMES SP

CATEGORIA POESIA


PRIMEIRO LUGAR : Voltar
Nelson Jacintho (SP)

SEGUNDO LUGAR: Lundu
Luiz Jorge Ferreira (SP)

TERCEIRO LUGAR  Oco
Sergio Augusto de Munhoz Pitaki (PR)


 CATEGORIA PROSA


PRIMEIRO LUGAR:  Brincadeira de Adultos
Josyanne Rita de Arruda Franco (SP)

SEGUNDO LUGAR:  O Hotel dos Fantasmas
José Warmuth Teixeira (SC)

TERCEIRO LUGAR:  Três
Márcia da Silva Sousa (MA)

Todos os textos classificados encontram-se na edição 298 de “O Bandeirante” setembro de 2017


BRINCADEIRA DE ADULTOS


Faz muitos meses, foi enquanto esperávamos um voo que atrasaria duas horas. O saguão abrigava poucas pessoas e facilmente percebermos um ao outro. Ele, muito alto e com fisionomia diversa do meu povo de origem. Eu, mulher de baixa estatura e alguma eterna ousadia. Percebi que ele me olhou com curiosidade; na sequência, com maior interesse. Eu sorri, apenas isso. Depois, fiquei apreensiva com meu atrevimento de sinalizar simpatia a um estranho no salão do aeroporto quase vazio.
Sem dar muitas voltas, ele bateu com segurança por três vezes no assento vazio ao lado do dele para que eu fosse até lá. Quanta petulância! Um homem que nem conheço me chamar com tanta confiança, como se fosse natural que eu aceitasse um convite formulado daquela maneira... Foi um desafio inesperado.
Sou dada a desafios. Sem qualquer cerimônia, levantei e fui até ele, que franziu a testa, intrigado com minha aceitação, sem relutar. Deveria estar habituado a resistências ensaiadas, mesuras e cenas.
Por que relutaria? Sou livre e uma conversa diferente ajudaria a passar o tempo, ao invés de buscar isolamento na prisão da tela do meu celular. Gosto de conversar e até poderíamos ficar amigos.
De mesma idade, tivemos rápida afinidade e gostos semelhantes para a música, lazer e... devaneios. Tão sonhador quanto eu mesma, ele trazia em seus traços de origem italiana um perfil renascentista desamparado, desnudado na alma e com o coração magoado. Cantamos em italiano e ele me ensinou a conjugar dois verbos.
O fato é que os minutos pareciam correr em velocidade anormal diante daquela conversa que fluía com naturalidade. Enquanto o temporal desabava, falamos sobre um pouco de muita coisa e fiquei surpreendida com sua leveza de pensamentos.
A chuva pesada que atrasou nosso voo era cheia de relâmpagos e trovões. Nada ouvíamos, ilhados do mundo real. Começamos a imaginar pequenos prazeres para aquelas horas de chuva. Aproveitar o tempo para o amor em leito perfumado e morno, tremulando os corpos no ritmo da tênue chama da lareira. Em seguida, a pausa silenciosa de quem desfruta a paz do êxtase.
No aconchegante quarto da nossa imaginação caberiam planos para o que talvez nunca chegasse. Haveria desejo e promessas, pois os amantes são assim: mergulham afoitos na paixão oceânica, para viverem imersos em futuro caudaloso.
Falávamos entre risos, em baixo volume, com malícia sutil, fluência e liberdade, sem nos tocarmos, flutuando na aura sensual do teatro que encenávamos brincando de amar sem amar, em narrativa construída para ilustrar algumas horas.
Ele se divertia, sentia-se desafiado. Com ternura, passou os dedos em minhas têmporas, assinalada por alguns rebeldes fios de cabelos brancos. Eu desenhei com o indicador a sobrancelha dele, farta e quase grisalha. Um sorriso o fez fechar os olhos e se lembrar de algo que não me disse e que não perguntei, respeitando o momento.
Só isso... Mas três mulheres eram nossa plateia e nos observavam com o olhar enviesado de críticas. Nosso teatro as desagradava, nossa proximidade física febril e maliciosa era reprovável, mesmo sendo apenas encenação imaginada para um momento de amor não vivido, passatempo de dois estranhos em uma brincadeira de adultos.
Quando nosso voo finalmente foi anunciado, levantamos de nossos assentos com melancolia quase sem sentido. Trocamos cartões de visita e ele me deu um grande e demorado abraço, deixando que eu me dirigisse à fila para só depois seguir o mesmo caminho.
O casaco preto de uma das mulheres ficou pendurado na cadeira. Preferi não avisar. Com o arrepio frio do ar no interior do avião, talvez percebesse o quanto é bom encontrar calor em outro ser humano e que há milhares de maneiras para isso.
Embarcados, apenas nosso olhar em procura nos aproximava. Ele me achou e enviou um aceno que respondi do meu lugar, localizado sobre uma das asas.
Meu Davi acomodou sua bolsa na cabine sobre a poltrona para seguir viagem. Enviou beijos e saudações agitadas, depois mais beijos e galanteios pelo celular. Sorri comigo mesma antes de me despedir. Nossa brincadeira logo seria parte do passado.
Há alguns dias desabou um temporal assustador. A tempestade me pegou ainda no consultório e me remeteu à lembrança daquele dia do começo de dezembro último.
As águas de março caíam impiedosas quando o celular sinalizou mensagem por um aplicativo famoso. Meu Davi me perguntava se eu me lembrava dele. Eu disse que sim, especialmente porque chovia muito. 
Há meses ele também pensava nos momentos lúdicos que imaginamos no aeroporto.
“Quando você estiver para sair, avise-me... estou aqui em frente. Aquele quarto nos espera”.

JOSYANNE RITA DE ARRUDA FRANCO
PRIMEIRO LUGAR CATEGORIA PROSA
XIV JORNADA MÉDICO-LITERÁRIA PAULISTA           


Todos os textos classificados encontram-se na edição 298 de “O Bandeirante” setembro de 2017

VOLTAR



Voltar...
Como seria lindo voltar...
Sentir a brisa fresca da manhã nascente
a acariciar nossos braços finos e desnudos,
nossas pernas esguias, de calça curta,
e nossos pés descalços,
que corriam junto
com nossa mente desarmada
e a nossa vontade incomensurável
de atingir o  infinito...
Voltar...
Voltar a sentir vontade de sonhar
o sonho que deveria vir,
a esperança que deveria nascer,
a vida real, que já estava,
mas parecia  não ter chegado, ainda...
Voltar...
Voltar aos braços das mães queridas
que deixavam o trabalho
para nos  pegar no colo,
sabedoras das manhas e dos ciúmes
das crianças que querem ter o mundo,
mas que, ainda, preferem o calor do aconchego...
Voltar...
Voltar ao primeiro ano da escola
onde as professorinhas, quase adolescentes,
de olhos arregalados
de crianças assustadas,
deixavam  nosso pequeno coração
taquicárdico e apaixonado...
Voltar...
Voltar à primeira viagem de trem,
puxado pela maria-fumaça,
para São Paulo.
Voltar a ouvir o apito do guarda,
da plataforma da estação,
dando ordem para o trem partir,
e o apito da maria-fumaça, dizer
“Estou iiiinnnndoooo...”
E a maria-fumaça, não somente partia para São Paulo,
mas, também partia o nosso coração
de meninos do interior,
que pela primeira vez iríamos conhecer
a metrópole paulista.
Voltar...
Voltar ao arremedo de campo feito  de terra batida,
onde corríamos atrás de uma bola de pano
feita de farrapos e de  meia velha,
que não poderia ser mais usada por ninguém...
Voltar...
Como seria lindo voltar,
se tivéssemos aqueles pés ligeiros,
aquelas pernas finas e ágeis,
aquele fôlego de sete gatos,
aquela coragem irresponsável
de ser feliz
e todo aquele sonho
que parecia não acabar nunca,
mas que foi perdido pelos meandros
de nossa estrada que ficou para trás
e se consumiu com o passar dos anos...
Voltar... Ah, se fosse possível voltar!

NELSON JACINTHO
PRIMEIRO LUGAR CATEGORIA POESIA
XIV JORNADA MÉDICO-LITERÁRIA PAULISTA

Todos os textos classificados encontram-se na edição 298 de “O Bandeirante” setembro de 2017


13/08/2017

VENCEDORES I INTERMED LITERÁRIA (PROSA)

O sucesso da I Intermed Literária Paulista da SOBRAMES SP só foi possível pelos excelentes textos de médicos e de estudantes de Medicina.
Agradecemos a participação de todos e parabenizamos os classificados.
A premiação se realizará durante a  XIV Jornada Médico Literária Paulista no dia 26 de agosto no auditório da Associação Médica Brasileira.

VENCEDORES DA I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA PROSA
  
PRIMEIRO LUGAR:  INEXISTÊNCIA
Karine Fernandes

SEGUNDO LUGAR:  CROCHÊ
Carlos Eduardo Pompilio

TERCEIRO LUGAR:  ÚLTIMO SORRISO
Débora Tseng Chou







INEXISTÊNCIA

Fui as marcas das botas no solo coberto de lama naquela cidade pequena, o cheiro vivo das flores ao anoitecer. Debruçava-me sobre o parapeito da janela, desejava uma mulher, ignorava outras tantas que lá embaixo gritavam o meu nome e voltava a dormir envolto em lençóis sujos de suor. Comia com pressa a fim de acalmar o ronronar de meu estômago. Ria em pedaços: as sílabas saíam umas seguidas das outras entre intervalos constantes e minha felicidade em notas musicais predominava sobre os outros ruídos por um tempo ainda maior.
Beijava com a língua sabida de quem nunca se contentava em explorar apenas um canto. Sussurrava promessas, escutava recusas, xingava aquele homem. Amava com o corpo, transava  com a mente e gozava pelo coração. Eu era feito às avessas.
Perdi paixões, pessoas e objetos. Das tristezas maiores senti as saudades - alguém que nunca voltaria; a ausência - aquela que poderia retornar se assim desejasse; o vazio - o não pertencer a mim mesmo. Mas também fui feliz.
De dias ensolarados tinha o calor pelo meu corpo após uma longa corrida atrás de almas jovens que mal sabiam andar. Dos chuvosos recebia o aliviar da garganta seca e bons cochilos ao entardecer.
Envelhecia sem estar sozinho. Não era corcunda. Não deixava de dirigir. Não sofri com grandes doenças embora necessitasse tanto dos óculos.
Desfiz-me da carne. A carne não se desfez.
Agora sou os pés que não andam, a boca que não fala, os cabelos que não se molham. Dos meus olhos restaram as íris pálidas que nada enxergam, que nada veem.
Não sou uma alma e nem tenho espírito. Aqueles que me tocam não me ouvem e também não me enxergam mesmo tendo boa visão.
Sou a carne enegrecida, os pedaços sobre as mesas de metal.
Não vivo, não vago, não atormento.
Sou apenas uma lacuna na existência: meu corpo sobrevive, mas todos sabem que inexisto.


KARINE FERNANDES
PRIMEIRO LUGAR DA I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA PROSA


CROCHÊ



 Descendente de italianos que enriqueceram no Brasil, aos vinte anos de idade casou-se com o estudante de Agronomia que conheceu num baile de debutantes e que viria a lhe proporcionar um padrão de vida ainda melhor que a casa dos pais. Aos trinta, duas filhas, um marido bondoso, empregados e uma casa em ordem para cuidar. A vida doméstica entremeada por viagens, cursos de culinária, mais viagens, cursos de cerâmica e eis que, entre uma viagem e outra, aprendeu a fazer tricô. E crochê. A sensação de tecer fios e convertê-los em algo útil e belo foi transformadora; não sabia bem explicar o porquê. Aulas caras com professoras exclusivas que “não aceitavam qualquer aluna, não!”. Só por indicação, e isso apenas depois de saber a qual família pertenciam as ansiosas pretendentes. Havia uma professora, muito exigente, que com a unha comprida do dedo mínimo costumava desfiar uma tarde inteira de trabalho só porque um ponto errado, lá atrás, deixara uma irregularidade no tecido. Ficou sabendo que, à época, a melhor lã que se vendia no Brasil era a de Petrópolis e lá ia ou, mais comumente, as mandava buscar. No Chile, enquanto a família esquiava, ela comprava lã. Na Argentina, nada de roupas feitas, apenas a mais pura lã para fazer mantas. Em Praga, enquanto procuravam cristais, ela arrematava um lote de lã de carneiro para pullovers e saias destinados às filhas em um comércio qualquer, fazendo com que todos a esperassem desenhar e explicar com gestos o que queria ao sorridente vendedor de traços árabes. E foi assim que adquiriu o hábito de comprar novelos de lã. De cores, tamanhos, espessuras e texturas diferentes para os mais variados fins. Aos quarenta, colecionou novelos como quem coleciona boas lembranças. Aos cinquenta, guardou-os num grande armário. Aos sessenta, não os viu. Aos setenta, mudou-se para um grande apartamento e, em nome de uma nova e premente organização domiciliar, mandou fazer lindas caixas para guardar os novelos em um lugar especialmente reservado num novo e espaçoso closet de madeira clara, sem portas. Claro.
Aos setenta e três, levou um enorme susto. Entrou no closet e teve a horrível sensação de que tinha novelos demais. Tomou de uma caixa aleatoriamente e ao abri-la, viu quatro enormes novelos azul-turquesa. Londres! Destinados a um colete para o marido. Abriu outra, uma profusão de cores onde predominava o bordô e derivados de vermelho e amarelo. Buenos Aires, colchas para as meninas. Outra, verdes-água, azuis-marinhos, tons de laranja. Paris, meias. Petrópolis, saias. Boston, cachecóis. Carmins, rosas, casacos, lilases, marrons, blusas. Sua cabeça começou a girar. Sentiu uma vertigem sufocante ao defrontar-se com tudo aquilo de um só golpe: combinar memoriosos novelos, peças de vestuário negligenciadas e a nesga de tempo que ainda julgava dispor, conjurava seu passado glorioso, seu presente cru e seu futuro incerto em uma armadilha metafísica. O passado dos lugares e momentos felizes medido nas tranças dos coloridos novelos cedia vez à negação do presente, pois a mera existência dos novelos era o reconhecimento de uma ausência que só dela dependia para persistir. O futuro também não lhe reservava melhor sorte, minguado e exíguo, ocupado das doenças e nas coisas da idade. Nem se tratava de perceber - como, aliás, se percebe com frequência - que o tempo passara demasiadamente rápido. Não. O pavor provinha do extravagante estado de desorientação no interior do qual já não era possível distinguir passado, presente e futuro. O passado ao mesmo tempo em que presentificava-se nos novelos revolvidos, não lhe permitia escolhas futuras tangíveis; souvenires representativos de uma época feliz cruzavam eras para lhe trazer um futuro que ela sabia não viria em tempo algum. Teve falta de ar e o coração acelerou.
A agnosia temporal durou apenas minutos: a flecha do tempo resolvera andar em círculos. Com dificuldade, moveu sua mão direita e abriu a gaveta onde estavam os pares das longas e grossas agulhas de crochê tunisiano e acariciou-as com os dedos nodosos e macios. Só então notou no chão do closet o colorido dos novelos e das inúmeras caixas abertas em uma desordem quase impressionista. Suspirou. Pôs os óculos na ponta do nariz e alcançou um dos grandes e espessos novelos azul-turquesa. Tirou o papel que o cinturava e puxou um metro de reluzente lã inglesa, passando-a pela nuca. Sentou-se na beirada do pufe e, com movimentos precisos, pespegou uma fieirada de pontos-meia. Lembrou que os pontos emprestavam às cores dos fios uma outra dignidade. Teceu outra fileira. E outra. Sorriu ao ver o novelo transmutando-se em um quadrilátero simples apenas pelo esforço de suas mãos. O fio, trançado àquela maneira, também tinha outro tato, pois o milagre geométrico do crochê consiste em transformar linhas em planos permitindo à palma das mãos deslizar sobre uma superfície macia onde antes havia apenas a sensação digital do comprimento. A substância do crochê parece também conter algo mesmo da natureza do tempo já que se, por um lado, quanto mais complicado é o ponto, mais fio ele gasta para existir, por outro, a vida talvez possa ser entendida como a conversão da linha contínua do tempo na extensão de uma colcha que chamamos vulgarmente de “mundo”. Uma tal colcha, assim configurada talvez servisse para tornar suportável a sensação de linearidade existencial e nos preservar de sua passagem inconsequente e sem sentido. Ou, quem sabe, até para nos revelar em suas inevitáveis irregularidades essa impertinente e mordaz insensatez que, vez por outra, costumamos desfiar com a unha comprida do remorso...
Aquietou-se, de fato, imersa em sua atividade. A respiração tomou o ritmo pachorrento dos que nela não se atêm. E então, lentamente, a cada fileira de pontos, o passado, o presente e o futuro desvencilharam-se uns dos outros e retomaram seus lugares nas lindas caixas especialmente reservadas a eles. A agulha de crochê, como uma varinha de condão, ordenou saudades, inseguranças e projetos, atribuindo a tudo o sentido apropriado. E apenas depois disso - em verdade, tão somente após a decifração temporal que só as atividades cotidianas e simples têm o poder de celebrar ou, no mais das vezes, ocultar, se assim julgar conveniente o nosso relógio existencial -, única e exclusivamente após isso então, ela pode voltar a envelhecer em paz.

CARLOS EDUARDO POMPILIO
SEGUNDO LUGAR DA  I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA PROSA


ÚLTIMO SORRISO



Bom dia, Sr I, como vai? Sou aluna de medicina do segundo ano... Posso fazer algumas perguntas e examinar o senhor?
Pode sim.
Obrigada. Primeiramente, qual foi o motivo de sua internação aqui?

“Bom, há 20 dias eu comecei a ter febre e cansaço…”
E me conduziu com maestria pela história de sua doença… “no AMA acharam que era dengue e começaram o tratamento, mas eu achava que tinha alguma coisa realmente errada comigo. Em outro hospital, fizeram mais testes e... Novamente recebi o tratamento para dengue. Há poucos dias minha febre aumentou e tive que vir aqui para o HU”.
 Ora contando ora escondendo as informações que tinha, criou em mim uma expectativa que crescia a cada frase “Afinal, que doença ele tem? ”. Não havia pressa em seus olhos. Eles me olhavam pausadamente, com firmeza e com um certo pesar que de início eu não soube explicar. Aliás, eu sentia naquele momento que eu não poderia explicar coisa alguma, mas era ele quem me explicaria sobre o seu “caso” e mais do que isso, sobre a própria percepção do seu corpo, sobre o poder da narrativa (que naquele momento me transportava da minha história para a sua), sobre a beleza e a fragilidade da sua existência. E me conduziu com maestria pela história de sua vida.
            “Aqui no HU, eu fiz mais exames e o médico falou que queria conversar comigo e com meus familiares…No final das contas o doutor acabou falando com o meu cunhado, que em seguida me perguntou: I, você acha que sabe o que tem? Eu afirmei que sim. E ele então disse: Isso mesmo, infelizmente você tem isso que pensa que tem”.
 Nesse momento seus olhos estavam tristes e marejavam “A ciência faz a parte dela, mas também tem a fé...e juntando essas duas, você pode ter esperança...”. Um turbilhão de dúvidas me veio à mente enquanto tentava não chorar: então ele está morrendo? Qual é o diagnóstico final dele? Será que os médicos já têm certeza de que é grave mesmo? No meio de todas essas dúvidas tive a certeza de que estava diante de mim um grande homem, que acabara expor toda sua fragilidade. Eu o olhei e vi sua dor, e ele a viu refletida em mim. Certamente não estávamos rindo de felicidade, mas o conforto da compreensão o fez falar sobre esperança e sorrir.  
 Saí daquele quarto diferente.
            Na semana seguinte, voltei ao hospital e perguntei ao professor como estava o Sr.I e fui informada de que ele piorara muito e estava na UTI. Lá, ele estava entubado, sedado e apenas vivo pela ação de vários medicamentos. Não via mais seus olhos tristes, mas a mesma expressão que ele tivera na semana anterior estava presente em seus familiares que olhavam para aquele Sr.I, que não mais falava e não mais sorria. Depois de duas semanas, voltei ao hospital e fui informada de que ele tinha falecido.
            Triste, fico esperando que ele tenha tido uma vida tão incrível como sua capacidade de contar histórias, porque penso que a beleza da vida só é percebida por aqueles que compreendem e dominam o poder das narrativas.

DÉBORA TSENG CHOU
TERCEIRO LUGAR  I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA PROSA


VENCEDORES I INTERMED LITERÁRIA (POESIA)

A SOBRAMES SP agradece a participação dos médicos e estudantes de Medicina que com seus bonitos textos demostraram talento e sensibilidade .
A Premiação se realizará no dia 26 de agosto no anfiteatro da Associação Médica Brasileira integrando a XIV Jornada Médico-Literária Paulista SOBRAMES SP. 
Parabéns a todos e em especial aos classificados.


VENCEDORES DA I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA POESIA


PRIMEIRO LUGAR : ANSIEDADE
Luan Salguero de Aguiar

SEGUNDO LUGAR: DA PONTE DO SUMARÉ
Gerson Sobrinho Salvador de Oliveira

TERCEIRO LUGAR  BANCO
Fabrício Donizete da Costa 

ANSIEDADE


Ei. Olha eu aqui. Sim! Aqui!

Esse aqui sou eu, o eu que você conhece
Isso aqui é a prisão, que esconde alguém que você esquece

Alguém que você não pergunta como está
Alguém que você nem pensa em se importar.

Dentro dessa prisão existe uma energia
Tão radical, impetuosa, tão acelerada
Uma energia explosiva, tão volátil, sensível, tão magoada.

É como um outro eu, um fantasma, um encosto
Que destrói todo meu sistema interno e vai contra esse sorriso no meu rosto

Ahhhh!
É uma criatura que sussurra tão alto que corrói a voz dos meus pensamentos!
É um pedaço de mim que transforma meu coração em retalhos, em fragmentos!

E ela fala, ela clama. Ela grita e me chama.

"Ei meu jovem. Olha como você está feio! Alguém se importa com você?
Você tem sido útil? Você desligou o gás antes de sair?
Nossa, que demora para te responder, será que ele morreu?
Ninguém se importa com você! Como você está improdutível!
Está com sono? Não acredito que você é gay!
Seu pai deve morrer de desgosto! Você desligou mesmo o gás antes de sair? "

Ahhhh!
Chega! Eu não aguento mais, chega! Por favor
Pare de me consumir, pare de me usar!
Para de me destruir, pare de me consolar!
Para de me chamar de seu amigo, para de me controlar!
Pare de brincar comigo, pare de me torturar!
Por favor, pare...!

"Mas Luan, não se engane. O que eles querem de você é seu sorriso, seu serviço. Ninguém quer ouvir seu choro, nem o motivo do seu soro.
Ninguém se importa com você, ninguém vai chorar se você morrer!"

O que você quer de mim? Quer que eu exploda?
O que você quer de mim? Quer que eu morra?
O que você quer de mim? Me deixa, por favor!
O que você quer de mim? Por que me causa tanta dor?

Ahhhh!
"Pare de frescura, se recomponha! Ninguém se importa com você, nem com o que você sonha.
Aceita logo a sua ansiedade, aceita quem é você de verdade.
Coloca um sorriso na cara e minta que você está bem. E não fale dos seus problemas, nunca, para ninguém
E se quiser explodir, e se quiser chorar, se quiser sumir, se quiser se matar...
Lembre-se, que você será ainda mais inútil morto do que você já é vivo.”

...
“É só seu sorriso que eles querem...
Então...
Sorria!"


LUAN SALGUERO DE AGUIAR
VENCEDOR DA I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA POESIA


DA PONTE DO SUMARÉ


Era um rapaz de trinta anos
de estatura ordinária
desconhecido provável
trazido pelo resgate
trazia marcas de dores
politraumatizado

chegou rebaixado
aspirei a via aérea
introduzi um tubo endotraqueal
mas não compreendi
por que ele pulou
da Ponte do Sumaré

parada cardiorrespiratória
atividade elétrica sem pulso
toracotomia de emergência
sangrava sangrava sangrava
apliquei adrenalina no ventrículo esquerdo
comprimi suas câmaras cardíacas
de certa maneira me senti
como se palpasse a possibilidade
de com um sopro restituir a vida
e restaurar seus sonhos
mas não compreendi
por que ele pulou
da Ponte do Sumaré

a vida se esvaiu
não soube de sua graça
não decifrei seus amores
não vi comboio de cordas
e nem compreendi
por que ele pulou
da Ponte do Sumaré.

GERSON SOBRINHO SALVADOR DE OLIVEIRA
SEGUNDO LUGAR  DA I INTERMED LITERÁRIA PAULISTA
SOBRAMES SP
CATEGORIA POESIA


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