01/02/2017

O Bandeirante - FEVEREIRO 2017

A partir da edição de janeiro de 2017 o jornal "O Bandeirante" tem como editores Márcia Etelli Coelho e Marcos Gimenes Salun. Para marcar o início da gestão 2017/2018 o jornal ganhou também um novo aspecto, de traços mais leves e visual mais arejado. Com a mesma qualidade editorial, o informativo seguirá divulgando as principais fatos do período e os melhores textos literários em prosa e verso de seus autores associados. Conheça a seguir a edição atual:

O BANDEIRANTE - nº 291 - Fevereiro de 2017 

(clique na capa abaixo para fazer download)



Na edição de fevereiro de 2017 de nosso jornal "O Bandeirante". 
você encontrará o noticiário do período e na parte literária, um destaque especial para os vencedores do PRÊMIO FLERTS NEBÓ de melhor prosa de 2015/2016 (Sérgio Perazzo - vencedor; Roberto Antonio Aniche - 1ª Menção Honrosa e Walter Whitton Harris - 2ª Menção Honrosa) além de um texto de Luis Jorge Ferreira


O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

22/01/2017

VENCEDORES PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015-2016

Durante a Pizza Literária de 19 de janeiro de 2017 a SOBRAMES SP outorgou o consagrado Prêmio Flerts Nebó ao sobramista Sérgio Perazzo que encantou a todos com a prosa “A Amizade Sumiu”, um texto atual e reflexivo que vale  apena ser relido. 
Roberto Aniche, por sua vez, conquistou a Primeira Menção Honrosa com “Porões da Alma” e coube a Walter Harris a Segunda Menção pelo texto “Chinelos Voadores”.
A SOBRAMES SP agradece a colaboração dos avaliadores sobramistas Edson Olimpio Silva de Oliveira (RS), Eliane de Morais Araújo (MA) e Luiz Coutinho Dias Filho (PE).
Os textos vencedores encontram-se postados a seguir.


A AMIZADE SUMIU

            
            Acabou de virar a esquina. Como se diria antigamente, escafedeu-se. Foi vista pela última vez banhando os pés no chafariz da praça, tantas eram as bolhas e os calos de tão longa caminhada, vida adentro, vida afora, peregrina de longa jornada, de efêmero tempo.
            Cheguei a confundi-la com a sombra do cachorro, tantos são os cachorros hoje em dia que nos tropeçam em todas as calçadas, embaralhando coleiras, em busca do estereótipo da fidelidade canina, à falta da fidelidade humana de que somos tão precisados sem nos darmos conta.
            A confiança foi com ela, traidoras, me disse o jornaleiro, arauto do bairro e testemunha ocular do crime inafiançável de abandono recorrente, o último a vê-la na ponta dos pés para não fazer barulho, para não se sentir presente, nem necessária.
            Dizem as versões mais desencontradas, pelo menos nisso são unânimes, que se transformaram, num repente, em mensagens impessoais de celulares anódinos e insípidos, despejando bonequinhos, ora risonhos, ora tristonhos, tsk tsk tsk, na falta do que dizer, obrigando-nos mesmo a falar do vazio que ela deixou, num único espaço livre de apenas duas ou três laudas, tempo máximo em que nos é permitido sentir saudades, procurando inutilmente no calçamento das ruas o menor vestígio de seu rastro. Lágrimas, nem pensar, se não houver mão que estenda o lenço ou ombro para encostar. Só fotografias sorridentes, fotoshopadas, sem espaço para palavras, que se volatilizam no dia seguinte sem nenhum esforço.
            Apertando os olhos pra melhor ouvir e tapando os ouvidos para melhor enxergar, meio como o lobo da Chapeuzinho, pensando bem, não foi uma só amizade que se perdeu, afastando qualquer traço de saudosismo, mas cem, mil talvez, tantos são seus contornos, seu brilho e suas arestas: qualidade especial de amor em que se supõe desprendimento e altas doses de tolerância e generosidade, com espaço amplo para a alegria em toda a sua dimensão expansiva ou apenas discreta; regozijar-se (outra palavra antiga), não só amizade de copo e de madrugadas de bar, mas o entranhar-se confidências até a hora do amanhecer tardio ou do anoitecer precoce.
            Que seja, essa amizade que foge, não só o curativo das feridas reincidentes que se multiplicam neste mundo que, sem ela, visivelmente apodrece cercado de todos os lados,  amarrado em redes sociais em que todo mundo é amigo porque assim teclou amigo, assim acreditou e assim sem acolhida o amigo deletou. A mesma amizade que cruzou os braços fechando o acesso ao peito, refugiados todos que somos, em vez de fechar o abraço como abraço, corrente e cadeado, só porque abraço, nessa imensa solidão de mundo, deserto de sentimentos à espera de serem revividos num renascimento ansiosamente esperado, e tanto, que se perde até a consciência de que eles estão ali, ao alcance da mão, quando não acreditamos mais que a solidariedade é a chave de tudo, é a chama incipiente de nossa esperança, devastada pela violência que de todos os cantos nos sufoca e pela indiferença que nos insensibiliza e congela, resultado de nosso isolamento. Todos no último vagão do último trem para uma hipotética Alemanha. O resto é arame farpado.
            Como não sumir essa amizade aleijada por nós, logo nós, que não lhe dedicamos tempo e espaço, nós, que não lhe regamos o caule, a folha e a raiz pela recompensa da flor e do fruto? Sem reagir, somos nós próprios os responsáveis e artífices de nossa mais profunda e destrutiva solidão. Você, amizade, fugiu a tempo, quem somos nós para julgá-la? Pé ante pé, na ponta dos dedos, na calada da noite, na aura negra da madrugada, no caudal da tempestade, na miudez da garoa. E, com isso, tornou-se clandestina. Escondeu-se, quem sabe, nos porões dos navios negreiros onde o suor é mais ácido, nos canhões dos navios piratas a um palmo do barril de pólvora, nas bandeiras da frente de batalha, nas mãos dos amantes que se separam no escuro do cinema como em crônica de Paulo Mendes Campos, provando que até o amor acaba e, se é que o amor acaba, como a amizade não acabará, nesse tempo em que amar tem carimbado na embalagem um prazo de validade? Ao pó retornará. No pó se dispersará no vento da impossibilidade. No sítio desolado do obscurantismo e da incomunicabilidade.
            Talvez expulsar o pessimismo com unhas compridas de lobisomem e todos os dentes, incluindo os sisos. Lutar para não morrer em vida. Dar as mãos na procura de seus pares. Usar os olhos para olhar. A boca para falar e dizer. As mãos a se apertarem, não só para contar dinheiro para as contas exorbitantes do mês. Reacender o desejo de estar junto e não direcioná-lo para o consumo compulsivo, consumo de coisas e de pessoas. Consumo de desejos vãos. Ambição por ambição. Consumo de idéias vazias de significado, mesmo com a roupagem do politicamente correto, que tudo disfarça sem resolver.
            Recuperar a conversa do banco de praça, dos pés descalços na água corrente dos rios, na caminhada no musgo escorregadio em que as mãos e os braços se amparam evitando a queda, no chá quente ou café fresco recém-coado em volta do fogo, no prato de legumes multicoloridos na mesa da cozinha. Degustar a amizade através da existência das coisas, bendizer, maldizer, gargalhar, fofocar, passar a limpo todos os verbos do dicionário e, só depois de viver tudo isso, só muito depois, morrer em paz, deixando a marca do viver no coração do amigo que Milton guardou para nós no fundo do peito, debaixo de sete chaves, o único antídoto que nos resta se a vida nos pregar uma peça e nos trouxer a morte antes do tempo pretendido. Quem sabe, então, a amizade não tenha ido embora. Estava só cochilando, escondida entre as tábuas do assoalho que pisamos todo dia, o tempo todo. Ela apenas nos pregou uma peça. É pegar ou largar.

SERGIO PERAZZO

PRIMEIRO LUGAR 
PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015-2016

PORÕES DA ALMA


Sai agora, sai do mundo real e vem comigo para o mundo da fantasia. Vem sonhar a infância inocente, imaginar a vida no futuro antes que ele chegue. Sai agora, vem para o sol, para o jardim, para o quarto dos brinquedos, faz de conta que a vida não acaba nunca...
            Sai desse sonho, vem para o universo da juventude que nem precisamos criar, de tão forte e tão belo que nem pudemos evitar. Volte comigo para os parques, para as ruas, volte a andar de mãos dadas comigo, vem correr e sentir o vento na face rosada, vem sentir meu perfume enquanto o seu me rodeia a alma...
            Vem agora, vem dentro do meu pensamento adulto, vem conquistar as glórias que conseguimos juntos, vem ouvir o relógio chamar de manhã, vem sentir o aroma do café saindo, ouvir a água do chuveiro.
            Vem rir comigo, vem sorrir comigo. Vem confundir nossos corpos como dois amantes desenfreados perdem o limite entre suas peles, vem colar teu perfume no meu espírito. Deixa eu sentir seu beijo molhado como nos filmes de amor, de paixão, deixa a lascívia escorrer pelos lençóis enquanto o tempo pára nos segundos imortais do encontro de almas e corpos apaixonados.
            Vem comigo, agora, vamos ver todos os lugares do mundo num segundo de nossos pensamentos, vem saborear nossas coisas como sempre fizemos, vem expurgar nossos passados infelizes, vem enxugar nossas lágrimas com o perfume das primeiras flores que lhe dei.
            Vem, rasga esse calendário grotesco que não para de correr, que lembra a cada instante que o tempo é cruel, que o tempo não conhece o amor e o perdão, que o tempo corre sem remorsos.
            Sai agora desse mundo, tira o coração encarcerado dos porões da alma, vem agora, vem para perto, deixa eu sentir que ainda estamos vivos...

ROBERTO ANTONIO ANICHE

PRIMEIRA MENÇÃO HONROSA
PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015-2016

OS CHINELOS VOADORES



Recentemente, foi-me contada uma história sobre chinelos voadores. Semelhante à crença de tapetes mágicos, os chinelos também voavam. Foi narrada com tanta convicção, que parecia até verdade. O meu amigo me disse que havia vivido esta experiência quando estivera em Roma a negócios. Estava sozinho, uma vez que sua mulher ficara no Brasil. Costumava dormir cedo pois, pela manhã, tinha um longo trajeto a percorrer até chegar a seu destino em Nemi, não muito longe do Castel Gandolfo, residência de verão do Papa. Gostava de ir lá, porque sempre havia mais italianos que turistas e também porque o clima era bem mais agradável nas colinas que circundam Roma, com quase 5ºC a menos em relação à cidade lá embaixo. Para seus negócios — que não chegou a me dizer quais eram — era o local ideal, pois só lidava com o povo local, não sofrendo intervenção de estrangeiros, nem de turistas palpiteiros. Chegava no hotel exausto, logo tirava os sapatos e vestia os chinelos que comprara próximo do próprio hotel.
Rotineiramente, cansado, tomava um banho de imersão para relaxar, numa banheira antiga bem grande com pés de bronze imitando patas de leão. Quando saia dela, sabia que deixaria um rastro d’água até se enxugar. Por isso colocava os chinelos próximos da porta, para não molhá-los. Naquela noite deixou os chinelos no lugar costumeiro, porém não estavam mais lá quando foi calçá-los. Crente que se enganara foi até o quarto, mas não estavam lá também. Por mais que procurasse, nada. Daí a pouco, ouviu um suave assobio. Ué! Olhou na direção de onde viera o som e viu os chinelos no parapeito da janela do quarto.
— Que diabo estão fazendo ali? Devo estar doido por tê-los colocado lá!
Terminou de se vestir, pois ainda pretendia descer ao restaurante para jantar e decidiu guardar os chinelos. Não estavam mais na janela! Olhou para seus pés e viu que estava usando-os.
— Caramba. Estou mesmo ficando com amnésia.
Ele ainda precisava pentear o cabelo, mas ao dar um passo, pareceu ter dado uma passada mais larga que o normal, fora de seu controle. Mais um passo e quase caiu ao chão. Mais um e observou que os chinelos pareciam ter vida própria. Assustado, sentou-se para retirar os chinelos, mas não conseguiu, pois pareciam grudados nos seus pés. Ouviu então uma risadinha e, depois, novo assobio. Seus cabelos se arrepiaram, pois aqueles sons pareciam ter vindo de seus pés ou, mais precisamente, de seus chinelos.
— Que é isso? Alguma brincadeira? Amanhã vou tirar satisfação com o cara que me vendeu os chinelos.
No entanto, os chinelos queriam se mexer. Como não teve êxito em retirá-los, decidiu levantar de onde sentara e, imediatamente, começou a flutuar. Foi até difícil manter o equilíbrio, mas enfim conseguiu. Derrotado, tomou a decisão de ver o que iria acontecer a seguir.
Os chinelos o levaram até janela, que estava aberta, pois fazia calor e o obrigaram a subir na janela, na qual se segurou com toda a força possível, enquanto os chinelos tentavam fazer com que se soltasse. Olhava lá para baixo, pois estava no 10º andar do hotel e gritava:
— Socorro, me tirem daqui. Não quero morrer!
Não resistiu por muito tempo. Aos poucos, pela insistência dos chinelos, seus dedos abandonaram a janela. Saíram voando, os chinelos levando-o a bel prazer.
— Nããããããão. Vamos voltar. Esqueci de pentear o cabelo!
Mas de nada adiantou a desculpa esfarrapada. Identificou vários lugares: o Coliseu, o Pantheon, a Fontana di Trevi. De repente, ele e os chinelos sobrevoavam Nemi e o Castel Gandolfo. Reconheceu os dois lagos, o menor, o de Nemi e o Lago Albano, próximo ao Palácio Papal, que se encontra na cratera de um vulcão extinto.
Parecia que os chinelos tinham predileção por água, pois começaram a voar sobre a superfície do lago, como se fossem esquis aquáticos. Ele até estava se divertindo; sempre quis saber qual era a sensação de esquiar, digo, voar sobre a água. Mas... tudo que é bom acaba, e os chinelos pararam de esquiar e ele começou a afundar na água. Estava afundando, a água já chegava à sua boca e mal conseguia gritar por socorro.
— Socor... glub, glub.
Deu um sobressalto e abriu os olhos. Estava quase se afogando na banheira do quarto do hotel. Refeito do susto e do pesadelo, levantou-se e se enxugou. Olhou para os inocentes chinelos que colocara longe da banheira para não molharem. Notou um certo brilho à distância. Chegando mais perto, viu que os chinelos estavam ensopados.
— Será que...?
Meu amigo não quis nem saber. Abriu a porta do apartamento, viu a lixeira do andar, pegou os chinelos, abriu a portinhola e jogou os chinelos lixeira abaixo. Quando foi fechar a lixeira, não é que ele ouviu de novo aquela risadinha e um suave assobio!

WALTER WHITTON HARRIS

        SEGUNDA MENÇÃO HONROSA
PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015-2016

06/01/2017

Chegou O BANDEIRANTE, com novo visual


A partir da edição de janeiro de 2017 o jornal "O Bandeirante" tem como editores Márcia Etelli Coelho e Marcos Gimenes Salun. Para marcar o início da gestão 2017/2018 o jornal ganhou também um novo aspecto, de traços mais leves e visual mais arejado. Com a mesma qualidade editorial, o informativo seguirá divulgando as principais fatos do período e os melhores textos literários em prosa e verso de seus autores associados. Conheça a seguir a edição atual:

O BANDEIRANTE - nº 290 - Janeiro de 2017 

(clique na capa abaixo para fazer download)



Na edição de janeiro de 2017 de nosso jornal "O Bandeirante". 
você encontrará o noticiário do período bem como textos literários em prosa e poesia destes autores:

Rodolfo Civile, Wladimir do Carmo Porto, Mércia Lúcia de Melo Neves Chade, Josef Tock e Vera Lúcia Teixeira.

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você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

21/12/2016

A ESTRELA DO ORIENTE


A estrela do oriente conduzia os três reis magos para premiar o rei mais famoso que deveria nascer nas terras do oriente! Famoso, forte, seria condutor do grande exército que deveria nascer com Ele!

As noites, as neves, as tempestades não  amedrontaram os três intrépidos e obstinados reis que viajavam montados em seus camelos  pelas estradas esburacadas e pedregosas da região. Nenhum dos grandes carros de hoje seria capaz de trafegar por estradas tão esburacadas  e barrentas, subindo e descendo serras quase íngremes! Somente os velhos e treinados camelos acostumados às areias dos desertos, à poeira das estradas e as rajadas de frio e neve, eram capazes de fazê-lo!  Lá iam eles durante noites e dias a fio enfrentando as intempéries do tempo e o sofrimento do corpo. Dores  mal tratos e cansaço não os detiveram! 

Foi no dia 25 de dezembro que lá chegaram, dando por terminada a jornada! Chegaram! A luz apontou para uma estrebaria! Onde estaria o palácio? Os grandes exércitos, as trombetas! Onde estaria a guarda uniformizada para garantir a segurança de tão importante rei? A luz apontava para uma pequena manjedoura dentro da estrebaria! Lá estava Ele! Criança recém-nascida como todas as outras! Pobre! Maltrapilha! Rodeada de vacas, bois e ovelhas! Mais parecia o filho de um pobre casal de pastores que endividado perdera  seus bens e morava no pobre curral dos poucos animais que lhe restara! 

A estranheza da surpresa, entretanto, não foi capaz de impedir o reconhecimento daquele pequenino menino que ali estava deitado dentro daquela manjedoura! Ao lado do menino estavam o pai José e a mãe Maria, ambos embevecidos pelo feliz nascimento do menino! O ambiente do curral preocupou imediatamente os três famosos reis que acabavam de chegar! Uma infecção poderia acometer a criança  que quase despida ali dormia! Logo perceberam, entretanto que a força da divina luz da grande estrela, tudo esterilizara! O menino estava protegido pelas leis divinas  e nada poderia acontecer-lhe!  

Os reis magos, após o reconhecimento do recém-nascido, depuseram seus presentes, fizeram suas preces e partiram!  Foi a primeira visita real que o menino, ainda desconhecido do mundo, recebera! 

Os reis partiram! A estrela não mais os iluminou! Eles estavam iluminados pelo poder da fé, a maior luz que poderia caminhar com eles na jornada da volta!

Esta luz continua iluminando a todos até hoje! Sem ela, certamente o mundo já teria desaparecido na escuridão de seus descaminhos!

NELSON JACINTHO

09/12/2016

Chegou "O Bandeirante" de dezembro 2016

O BANDEIRANTE - nº 289 - Dezembro de 2016 

(clique na capa para download)


Já está disponível a edição de dezembro de 2016 de nosso jornal "O Bandeirante". 
Nela você encontrará o noticiário do período bem como textos literários em prosa e poesia destes autores:

José Francisco Ferraz Luz, Roberto Antonio Aniche, José Leopoldo Lopes de Oliveira, Carlos Roberto Ferriani, Sérgio Gemignani e Camilo André Mércio Xavier.

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

17/11/2016

PREMIAÇÃO ABRAMES 2016

Parabéns aos vencedores do Concurso Literário da Academia Brasileira de Médicos Escritores  - ABRAMES - 2016 com destaque para os sobramistas paulistas Helio Begliomini, Aida Lucia Pullin Begliomini e Márcia Etelli Coelho.

CATEGORIA ACADÊMICA 2016

Aldravia Acadêmica - 1o. Lugar - "Sonhos despertos" -  Ac. Marcia Etelli Coelho
Aldravia Acadêmica - 2o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Luiz Gondim
Aldravia Acadêmica - 3o. Lugar- (sem titulo) - Ac. Em. Pedro Franco

Conto Acadêmica - 1o. Lugar - "Linda" - Ac. Em. Pedro Franco
Conto Acadêmica - 2o. Lugar - "O bem e o Mal" - Ac. Em. Abílio Kac
Conto Acadêmica - 3o. Lugar - "Assédios" - Ac. Hélio Begliomini

Crônica Acadêmica - 1o. Lugar - " Lembrança de um acadêmico de medicina" –
Ac. Em. Pedro Franco
Crônica Acadêmica - 2o. Lugar - "Crônica de uma vida" - Ac. Em. Abílio Kac
Crônica Acadêmica - 3o. Lugar - " Morte compensada" - Ac. Hélio Begliomini

Ensaio Acadêmica-1o. Lugar-"De Poe passando por Doyle..."-Ac. Em. Pedro Franco
Ensaio Acadêmica - 2o. Lugar - "Felicidade: arte, ciência, mérjtk ou utopia" –
Ac. Marcia Etelli Coelho
Ensaio Acadêmica -3o. Lugar -"Um escritor que viroucidade"-Ac. Hélio Begliomini

Poesia Acadêmica - 1o. Lugar - "Um toque de ternura" - Ac. Marcia Etelli Coelho
Poesia Acadêmica - 2o. Lugar - " Fotos e Fotos" - Ac. Hélio Begliomini
Poesia Acadêmica - 3o. Lugar - " Eternos mistérios" - Ac. Em. Abílio Kac

Trova Acadêmica - 1o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Luiz Gondim
Trova Acadêmica - 2o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Abílio Kac
Trova Acadêmica - 3o. Lugar - "Tempo" - Ac. Marcia Etelli Coelho

CATEGORIA NÃO ACADÊMICA:

Aldravia Especial 1o. Lugar - "Anjos" - Aída Lucia Pullin Begliomini

12/11/2016

Chegou "O BANDEIRANTE" de novembro

O BANDEIRANTE - nº 288 - Novembro de 2016 

(clique na capa para download)



Já está disponível a edição de novembro de 2016 de nosso jornal "O Bandeirante".Nela você encontrará o noticiário do período bem como textos literários em prosa e poesia destes autores:

Carlos Augusto Ferreira Galvão, Manlio Mario Marco Napoli, Sérgio Pelegrini Marun, Flerts Nebó, Lígia Terezinha Pezzuto e Silvana de Azevedo Brito.

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

10/10/2016

Edição Especial de "O BANDEIRANTE"

O BANDEIRANTE - nº 287 - Outubro de 2016 
EDIÇÃO ESPECIAL
(clique na capa para download)



Nesta EDIÇÃO ESPECIAL você encontrará os textos literários vencedores dos concursos de prosa e poesia do XXVI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - SOBRAMES, realizado de 22 a 24 de setembro de 2016. São estes os autores premiados:

 Arquimedes Viegas Vale, Josyanne Rita de Arruda Franco, Marcos Gimenes Salun, Nelson Jacintho, José Jucovsky, Márcia Etelli Coelho, Paulo Camelo de Andrade Almeida e Maria do Céu Coutinho Louzã. 

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.





07/10/2016

Conte sua história de SP - por Walter Whitton Harris, na Rádio CBN


Conte Sua História de SP: os passeios de bicicleta na pista do aeroporto de Congonhas



Por Walter Whitton Harris



Para ouvir clique neste link:


Na minha juventude, morava no bairro de Campo Belo, e as ruas eram de terra batida e não havia calçadas.

As ruas principais do bairro (Rua Prudente de Moraes, hoje Rua Antonio de Macedo Soares, e a Rua Vieira de Morais) que cruzavam com as outras, eram as únicas cobertas com paralelepípedos, alguns quarteirões com calçadas, outros não.

O movimento de automóveis era pequeno, com trânsito maior de caminhões e ônibus. Dependíamos destes ônibus e dos bondes para ir e vir do centro.

Andar de bonde, então, era uma aventura. No trajeto que ia da Praça João Mendes até Socorro, o bonde levava quase duas horas. Depois de descer a Rua Conselheiro Rodrigues Alves e passar pelo Instituto Biológico, entrava numa longa reta, com trilhos à semelhança de uma estrada de ferro.

Da mesma forma que uma ferrovia, as paradas tinham os nomes em placas presas entre dois postes com a identificação pintada em letras pretas sob fundo branco, cuja sequência até chegar em Santo Amaro eram: Ipê, Monte Líbano, Moema, Indianópolis, Vila Helena, Rodrigues Alves, Campo Belo, Piraquara, Frei Gaspar, Volta Redonda, Brooklin Paulista, Petrópolis, Floriano, Alto da Boa Vista e Deodoro.

Daí por diante, os trilhos voltavam a ficar embutidos nos paralelepípedos e viam-se muitas casas e lojas comerciais.

Pois o fato é que durante todo o trajeto desde o Biológico, havia grande número de chácaras e poucas casas, estas últimas se aglomerando junto às paradas dos bondes. Do Largo 13 de Maio, centrão de Santo Amaro, o bonde, que era fechado, descia até a Praça São Benedito. Quem quisesse atravessar a ponte sobre o rio Pinheiros e chegar à Praça de Socorro, fazia a baldeação para um bonde aberto. Pergunto-me até hoje o motivo disso. Será que a ponte não suportava o peso de um bonde maior, ou não havia passageiros suficientes e era vantagem retornar logo para a cidade com o bonde maior?

Íamos de bonde para o Colégio Estadual que ficava em Santo Amaro. Muitas vezes os nossos professores nos faziam companhia, pois poucos tinham seus próprios carros.

Lembro-me bem de uma ocasião em que os bondes pararam no Brooklin, um atrás do outro e tivemos de ir a pé até a escola, uma pernada e tanto. Os meus colegas e eu passamos em frente à fábrica de chocolates Lacta. Logo adiante, vimos o motivo. Na parada Petrópolis, um bonde em alta velocidade havia colhido um caminhão distribuidor de água da Fonte Petrópolis (que existe ainda hoje), arrastando-o por vários metros. Não me lembro se alguém saiu ferido. Havia garrafas de água e cacos de vidro por todo lado. Será que o motorneiro desceu o declive existente em frente à Lacta à toda e não conseguiu parar em tempo e pegou o caminhão que estava atravessando a linha?

A vida, na adolescência, era bastante pacata e singela. As andanças de bicicleta com um grupo de coleguinhas era uma delícia. Dois quarteirões depois de nossa rua, começavam as chácaras onde eram plantadas hortaliças que abasteciam a cidade de São Paulo. Havia estreitas passagens nas chácaras pelas quais íamos com nossas bicicletas até chegarmos ao Aeroporto de Congonhas. Naquele tempo, o aeroporto não era cercado e íamos até a cabeceira da pista e lá ficávamos observando os aviões passar por cima de nossas cabeças para pousar. Nem imaginávamos o perigo pela qual passávamos, porém a gente sabia que estávamos errados pois, vez ou outra, saíamos correndo de lá quando um jipe vinha em nossa direção, piscando os faróis. Era apenas um incentivo para ousarmos voltar. Será que cercaram o aeroporto por nossa causa?

A nossa rua de terra era um convite para se jogar “taco”, uma modalidade brasileira simplificada do “cricket”. A finalidade era derrubar, com uma bola (geralmente de tênis), uma casinha em formato de tripé feita com alguns finos galhos de árvore e que era defendida por quem estivesse com o taco. No jogo inglês, há três pequenos postes, unidos por travessas pequenas no seu topo que precisam ser derrubadas. Meu pai esculpiu um lindo taco para mim, que era invejado por todos os jogadores. Está guardado como lembrança daqueles tempos.

Outro jogo bastante gostoso era com bolinhas de gude. Fazíamos três buracos equidistantes alinhados na terra e um quarto buraco em ângulo reto com o buraco da ponta. Tínhamos de alcançar aquele último, mas também precisávamos afastar os adversários, atingindo suas bolinhas com a nossa.

Depois de fazer nossas lições de casa, ficávamos jogando até o anoitecer, quando nossos pais nos chamavam para jantar e dormir. É desnecessário dizer que voltávamos para casa resmungando e de mau humor.

Os dias passam céleres e eis que estamos retratando fatos de mais de cinquenta anos atrás! Como era bom não ter responsabilidades, não ficar preso dentro de casa em frente a uma televisão, que poucos tinham naquele tempo. Não havia computadores, nem éramos escravos de celulares, tablets etc. Eram outros tempos. Ah, tempos idos, que não voltam nunca mais…

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. O quadro vai ao ar, aos sábados, no CBN SP, logo após às 10h30 da manhã.

01/10/2016

PREMIADOS NO XXVI CONGRESSO NACIONAL


O XXVI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores SOBRAMES, realizado de 22 a 24 de setembro de 2016,  outorgou troféus para os melhores classificados de acordo com a Comissão Avaliadora composta por membros de expoentes Academias Literárias:

PREMIADOS NO CONCURSO DE PROSA
1º LUGAR - Arquimedes Viegas Vale - Conto: "Kaburá"
2º LUGAR - Marcos Gimenes Salun - Conto: "Em três palavras"
3º LUGAR - Marcos Gimenes Salun - Crônica: "Algumas coisas sobre ajoelhar e rezar"
MENÇÃO HONROSA - Márcia Etelli Coelho - Crônica "Desalento"
MENÇÃO HONROSA - Maria do Céu Coutinho Louzã - Conto: "Uma tarde para recordar" 

PREMIADOS NO CONCURSO DE POESIA
1º LUGAR - Josyanne Rita de Arruda Franco - "Hiato"
2º LUGAR - Nelson Jacintho - "A vida é..."
3º LUGAR - José Jucovsky - "Trovas e cordéis - o ritual da chuva e paz"
MENÇÃO HONROSA - Paulo Camelo de Andrade Almeida - "Desmantelo"
MENÇÃO HONROSA - Maria do Céu Coutinho Louzã - "Deixei"

12/09/2016

Mais uma edição de "O BANDEIRANTE"

O BANDEIRANTE - nº 286 - Setembro de 2016
(clique na capa para download)


Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Alcione Alcântara Gonçalves, Sheila Regina Sarra, Alitta Guimarães Costa Reis, Evandro Guimarães de Souza, Aida Pullin Dal Sasso Begliomini e Jacyra da Costa Funfas. 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
(clique nestes links para visitar os blogs)




O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP

(clique também nesta imagem abaixo para saber mais sobre o projeto COLEÇÃO LETRA DE MÉDICO)

Você também poderá gostar destes textos:

22/08/2016

ÚLTIMO ATO

A SOBRAMES SP sente-se entristecida pelo falecimento da querida sobramista Hildette Rangel Enger ocorrida dia 12 de agosto de 2016. Uma das fundadoras da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, cativou a todos com sua simpatia e sensibilidade poética.    


ÚLTIMO ATO

 

Cansada do cansaço
Recito devagar
Meu último monólogo.

Maquinalmente
Sem gestos
Sem emoções
Flutuo
No silêncio
E na penumbra.

Nem luzes
Nem ecos
Nem vaias
Nem aplausos
Não há plateia.

E assim
Ouvindo somente
A minha voz
Adormeço
No palco
Onde vivi sonhando.

HILDETTE RANGEL ENGER

(in memorium)

13/08/2016

Mais uma edição de O BANDEIRANTE

O BANDEIRANTE - nº 285 - Agosto de 2016
(clique na capa para download)

Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Rodolpho Civile, Sérgio Gemignani, Sônia Andruskevicius de Castro, Hildette Rangel Enger e Vera Lúcia Teixeira. 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
(clique nestes links para visitar os blogs)




O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP

(clique também nesta imagem abaixo para saber mais sobre o projeto COLEÇÃO LETRA DE MÉDICO)

04/08/2016

IMORTAIS


Os sonhos não morrem...
                                
Enfrentam entraves do corpo e da mente,
superam barreiras que o destino não viu.
Dissolvem a angústia de uma alma dolente
que assombra a saudade com o que desistiu.

O tempo sustenta o correto caminho,
reverte as vertentes, destaca os sinais.
Em grupo é mais fácil, melhor que sozinho.
Partilha que soma, duplica e refaz.

Sonhar acordado, recanto da lida,
restaura a energia do mundo real.
Um simples desejo, ilusões, fantasia,
a louca utopia da paz mundial.

Os sonhos são sopros do que o íntimo almeja,
divina alavanca, esperança motriz.
Diversos formatos, a mesma viceja:
ingênua querência de ser mais feliz.

No embalo da vida, se a dança termina,
o sonho rodeia, escolhe outro par.
Orquestra se afina e fascina a menina
que apanha os anseios espalhados no ar.

A menina sou eu... E eu ainda acredito
nas setas brilhantes dos meus ideais.
Por pura magia refletem no escrito
enredos e cenas, alegres finais.

Quando hoje as sombras enfim se enternecem,
estando a um passo de abrir os portais,
descubro que os sonhos até adormecem,
porém, de teimosos, não morrem, jamais.


MÁRCIA ETELLI COELHO
PRÊMIO BERNARDO DE OLIVEIRA MARTINS 2015 
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