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17/11/16

PREMIAÇÃO ABRAMES 2016

Parabéns aos vencedores do Concurso Literário da Academia Brasileira de Médicos Escritores  - ABRAMES - 2016 com destaque para os sobramistas paulistas Helio Begliomini, Aida Lucia Pullin Begliomini e Márcia Etelli Coelho.

CATEGORIA ACADÊMICA 2016

Aldravia Acadêmica - 1o. Lugar - "Sonhos despertos" -  Ac. Marcia Etelli Coelho
Aldravia Acadêmica - 2o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Luiz Gondim
Aldravia Acadêmica - 3o. Lugar- (sem titulo) - Ac. Em. Pedro Franco

Conto Acadêmica - 1o. Lugar - "Linda" - Ac. Em. Pedro Franco
Conto Acadêmica - 2o. Lugar - "O bem e o Mal" - Ac. Em. Abílio Kac
Conto Acadêmica - 3o. Lugar - "Assédios" - Ac. Hélio Begliomini

Crônica Acadêmica - 1o. Lugar - " Lembrança de um acadêmico de medicina" –
Ac. Em. Pedro Franco
Crônica Acadêmica - 2o. Lugar - "Crônica de uma vida" - Ac. Em. Abílio Kac
Crônica Acadêmica - 3o. Lugar - " Morte compensada" - Ac. Hélio Begliomini

Ensaio Acadêmica-1o. Lugar-"De Poe passando por Doyle..."-Ac. Em. Pedro Franco
Ensaio Acadêmica - 2o. Lugar - "Felicidade: arte, ciência, mérjtk ou utopia" –
Ac. Marcia Etelli Coelho
Ensaio Acadêmica -3o. Lugar -"Um escritor que viroucidade"-Ac. Hélio Begliomini

Poesia Acadêmica - 1o. Lugar - "Um toque de ternura" - Ac. Marcia Etelli Coelho
Poesia Acadêmica - 2o. Lugar - " Fotos e Fotos" - Ac. Hélio Begliomini
Poesia Acadêmica - 3o. Lugar - " Eternos mistérios" - Ac. Em. Abílio Kac

Trova Acadêmica - 1o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Luiz Gondim
Trova Acadêmica - 2o. Lugar - (sem titulo) - Ac. Em. Abílio Kac
Trova Acadêmica - 3o. Lugar - "Tempo" - Ac. Marcia Etelli Coelho

CATEGORIA NÃO ACADÊMICA:

Aldravia Especial 1o. Lugar - "Anjos" - Aída Lucia Pullin Begliomini

12/11/16

Chegou "O BANDEIRANTE" de novembro

O BANDEIRANTE - nº 288 - Novembro de 2016 

(clique na capa para download)



Já está disponível a edição de novembro de 2016 de nosso jornal "O Bandeirante".Nela você encontrará o noticiário do período bem como textos literários em prosa e poesia destes autores:

Carlos Augusto Ferreira Galvão, Manlio Mario Marco Napoli, Sérgio Pelegrini Marun, Flerts Nebó, Lígia Terezinha Pezzuto e Silvana de Azevedo Brito.

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP
noticiados nessa edição.

10/10/16

Edição Especial de "O BANDEIRANTE"

O BANDEIRANTE - nº 287 - Outubro de 2016 
EDIÇÃO ESPECIAL
(clique na capa para download)



Nesta EDIÇÃO ESPECIAL você encontrará os textos literários vencedores dos concursos de prosa e poesia do XXVI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - SOBRAMES, realizado de 22 a 24 de setembro de 2016. São estes os autores premiados:

 Arquimedes Viegas Vale, Josyanne Rita de Arruda Franco, Marcos Gimenes Salun, Nelson Jacintho, José Jucovsky, Márcia Etelli Coelho, Paulo Camelo de Andrade Almeida e Maria do Céu Coutinho Louzã. 

O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
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noticiados nessa edição.





07/10/16

Conte sua história de SP - por Walter Whitton Harris, na Rádio CBN


Conte Sua História de SP: os passeios de bicicleta na pista do aeroporto de Congonhas



Por Walter Whitton Harris



Para ouvir clique neste link:


Na minha juventude, morava no bairro de Campo Belo, e as ruas eram de terra batida e não havia calçadas.

As ruas principais do bairro (Rua Prudente de Moraes, hoje Rua Antonio de Macedo Soares, e a Rua Vieira de Morais) que cruzavam com as outras, eram as únicas cobertas com paralelepípedos, alguns quarteirões com calçadas, outros não.

O movimento de automóveis era pequeno, com trânsito maior de caminhões e ônibus. Dependíamos destes ônibus e dos bondes para ir e vir do centro.

Andar de bonde, então, era uma aventura. No trajeto que ia da Praça João Mendes até Socorro, o bonde levava quase duas horas. Depois de descer a Rua Conselheiro Rodrigues Alves e passar pelo Instituto Biológico, entrava numa longa reta, com trilhos à semelhança de uma estrada de ferro.

Da mesma forma que uma ferrovia, as paradas tinham os nomes em placas presas entre dois postes com a identificação pintada em letras pretas sob fundo branco, cuja sequência até chegar em Santo Amaro eram: Ipê, Monte Líbano, Moema, Indianópolis, Vila Helena, Rodrigues Alves, Campo Belo, Piraquara, Frei Gaspar, Volta Redonda, Brooklin Paulista, Petrópolis, Floriano, Alto da Boa Vista e Deodoro.

Daí por diante, os trilhos voltavam a ficar embutidos nos paralelepípedos e viam-se muitas casas e lojas comerciais.

Pois o fato é que durante todo o trajeto desde o Biológico, havia grande número de chácaras e poucas casas, estas últimas se aglomerando junto às paradas dos bondes. Do Largo 13 de Maio, centrão de Santo Amaro, o bonde, que era fechado, descia até a Praça São Benedito. Quem quisesse atravessar a ponte sobre o rio Pinheiros e chegar à Praça de Socorro, fazia a baldeação para um bonde aberto. Pergunto-me até hoje o motivo disso. Será que a ponte não suportava o peso de um bonde maior, ou não havia passageiros suficientes e era vantagem retornar logo para a cidade com o bonde maior?

Íamos de bonde para o Colégio Estadual que ficava em Santo Amaro. Muitas vezes os nossos professores nos faziam companhia, pois poucos tinham seus próprios carros.

Lembro-me bem de uma ocasião em que os bondes pararam no Brooklin, um atrás do outro e tivemos de ir a pé até a escola, uma pernada e tanto. Os meus colegas e eu passamos em frente à fábrica de chocolates Lacta. Logo adiante, vimos o motivo. Na parada Petrópolis, um bonde em alta velocidade havia colhido um caminhão distribuidor de água da Fonte Petrópolis (que existe ainda hoje), arrastando-o por vários metros. Não me lembro se alguém saiu ferido. Havia garrafas de água e cacos de vidro por todo lado. Será que o motorneiro desceu o declive existente em frente à Lacta à toda e não conseguiu parar em tempo e pegou o caminhão que estava atravessando a linha?

A vida, na adolescência, era bastante pacata e singela. As andanças de bicicleta com um grupo de coleguinhas era uma delícia. Dois quarteirões depois de nossa rua, começavam as chácaras onde eram plantadas hortaliças que abasteciam a cidade de São Paulo. Havia estreitas passagens nas chácaras pelas quais íamos com nossas bicicletas até chegarmos ao Aeroporto de Congonhas. Naquele tempo, o aeroporto não era cercado e íamos até a cabeceira da pista e lá ficávamos observando os aviões passar por cima de nossas cabeças para pousar. Nem imaginávamos o perigo pela qual passávamos, porém a gente sabia que estávamos errados pois, vez ou outra, saíamos correndo de lá quando um jipe vinha em nossa direção, piscando os faróis. Era apenas um incentivo para ousarmos voltar. Será que cercaram o aeroporto por nossa causa?

A nossa rua de terra era um convite para se jogar “taco”, uma modalidade brasileira simplificada do “cricket”. A finalidade era derrubar, com uma bola (geralmente de tênis), uma casinha em formato de tripé feita com alguns finos galhos de árvore e que era defendida por quem estivesse com o taco. No jogo inglês, há três pequenos postes, unidos por travessas pequenas no seu topo que precisam ser derrubadas. Meu pai esculpiu um lindo taco para mim, que era invejado por todos os jogadores. Está guardado como lembrança daqueles tempos.

Outro jogo bastante gostoso era com bolinhas de gude. Fazíamos três buracos equidistantes alinhados na terra e um quarto buraco em ângulo reto com o buraco da ponta. Tínhamos de alcançar aquele último, mas também precisávamos afastar os adversários, atingindo suas bolinhas com a nossa.

Depois de fazer nossas lições de casa, ficávamos jogando até o anoitecer, quando nossos pais nos chamavam para jantar e dormir. É desnecessário dizer que voltávamos para casa resmungando e de mau humor.

Os dias passam céleres e eis que estamos retratando fatos de mais de cinquenta anos atrás! Como era bom não ter responsabilidades, não ficar preso dentro de casa em frente a uma televisão, que poucos tinham naquele tempo. Não havia computadores, nem éramos escravos de celulares, tablets etc. Eram outros tempos. Ah, tempos idos, que não voltam nunca mais…

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. O quadro vai ao ar, aos sábados, no CBN SP, logo após às 10h30 da manhã.

01/10/16

PREMIADOS NO XXVI CONGRESSO NACIONAL


O XXVI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores SOBRAMES, realizado de 22 a 24 de setembro de 2016,  outorgou troféus para os melhores classificados de acordo com a Comissão Avaliadora composta por membros de expoentes Academias Literárias:

PREMIADOS NO CONCURSO DE PROSA
1º LUGAR - Arquimedes Viegas Vale - Conto: "Kaburá"
2º LUGAR - Marcos Gimenes Salun - Conto: "Em três palavras"
3º LUGAR - Marcos Gimenes Salun - Crônica: "Algumas coisas sobre ajoelhar e rezar"
MENÇÃO HONROSA - Márcia Etelli Coelho - Crônica "Desalento"
MENÇÃO HONROSA - Maria do Céu Coutinho Louzã - Conto: "Uma tarde para recordar" 

PREMIADOS NO CONCURSO DE POESIA
1º LUGAR - Josyanne Rita de Arruda Franco - "Hiato"
2º LUGAR - Nelson Jacintho - "A vida é..."
3º LUGAR - José Jucovsky - "Trovas e cordéis - o ritual da chuva e paz"
MENÇÃO HONROSA - Paulo Camelo de Andrade Almeida - "Desmantelo"
MENÇÃO HONROSA - Maria do Céu Coutinho Louzã - "Deixei"

12/09/16

Mais uma edição de "O BANDEIRANTE"

O BANDEIRANTE - nº 286 - Setembro de 2016
(clique na capa para download)


Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Alcione Alcântara Gonçalves, Sheila Regina Sarra, Alitta Guimarães Costa Reis, Evandro Guimarães de Souza, Aida Pullin Dal Sasso Begliomini e Jacyra da Costa Funfas. 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
(clique nestes links para visitar os blogs)




O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
você terá acesso a outras informações sobre os eventos e atividades da Sobrames-SP

(clique também nesta imagem abaixo para saber mais sobre o projeto COLEÇÃO LETRA DE MÉDICO)

Você também poderá gostar destes textos:

22/08/16

ÚLTIMO ATO

A SOBRAMES SP sente-se entristecida pelo falecimento da querida sobramista Hildette Rangel Enger ocorrida dia 12 de agosto de 2016. Uma das fundadoras da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, cativou a todos com sua simpatia e sensibilidade poética.    


ÚLTIMO ATO

 

Cansada do cansaço
Recito devagar
Meu último monólogo.

Maquinalmente
Sem gestos
Sem emoções
Flutuo
No silêncio
E na penumbra.

Nem luzes
Nem ecos
Nem vaias
Nem aplausos
Não há plateia.

E assim
Ouvindo somente
A minha voz
Adormeço
No palco
Onde vivi sonhando.

HILDETTE RANGEL ENGER

(in memorium)

13/08/16

Mais uma edição de O BANDEIRANTE

O BANDEIRANTE - nº 285 - Agosto de 2016
(clique na capa para download)

Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Rodolpho Civile, Sérgio Gemignani, Sônia Andruskevicius de Castro, Hildette Rangel Enger e Vera Lúcia Teixeira. 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
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04/08/16

IMORTAIS


Os sonhos não morrem...
                                
Enfrentam entraves do corpo e da mente,
superam barreiras que o destino não viu.
Dissolvem a angústia de uma alma dolente
que assombra a saudade com o que desistiu.

O tempo sustenta o correto caminho,
reverte as vertentes, destaca os sinais.
Em grupo é mais fácil, melhor que sozinho.
Partilha que soma, duplica e refaz.

Sonhar acordado, recanto da lida,
restaura a energia do mundo real.
Um simples desejo, ilusões, fantasia,
a louca utopia da paz mundial.

Os sonhos são sopros do que o íntimo almeja,
divina alavanca, esperança motriz.
Diversos formatos, a mesma viceja:
ingênua querência de ser mais feliz.

No embalo da vida, se a dança termina,
o sonho rodeia, escolhe outro par.
Orquestra se afina e fascina a menina
que apanha os anseios espalhados no ar.

A menina sou eu... E eu ainda acredito
nas setas brilhantes dos meus ideais.
Por pura magia refletem no escrito
enredos e cenas, alegres finais.

Quando hoje as sombras enfim se enternecem,
estando a um passo de abrir os portais,
descubro que os sonhos até adormecem,
porém, de teimosos, não morrem, jamais.


MÁRCIA ETELLI COELHO
PRÊMIO BERNARDO DE OLIVEIRA MARTINS 2015 

24/07/16

PRÊMIO BERNARDO DE OLIVEIRA MARTINS 2015

Eis os vencedores do Prêmio Bernardo de Oliveira Martins 2015:

Primeiro Lugar: Márcia Etelli Coelho (“Imortais”)
Primeira Menção Honrosa: Márcia Etelli Coelho (“Porque Tudo É Amor”)
Segunda Menção Honrosa: Sérgio Perazzo (“Lágrimas, Riso, Oferendas”).

Agradecimentos aos avaliadores das Poesias apresentadas durante as Pizzas Literárias da Sobrames SP durante o ano de 2015: Tania Hegler (PR), Renato Passos (MG), Laurijane Pantaleão (AL) e Helena Sória (PR).


Os textos podem ser conferidos na edição 284 de “O Bandeirante” já postado nesse Blog.

18/07/16

Chegou mais uma edição de O BANDEIRANTE

O BANDEIRANTE - nº 284 - Julho de 2016
(clique na capa para download)


Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Márcia Etelli Coelho, Helio Begliomini, Sérgio Perazzo e Luiz Jorge Ferreira. 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
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04/07/16

BATE CORAÇÃO


Bate, coração, ainda bate,
deixa esta vida tão linda,
passar por mim e ficar...
Deixa estar que eu luto sempre,
Não visto o luto da gente que esqueceu de lutar.

Bate, coração, bate forte,
olha pro rumo do norte,
que a sorte vem te encontrar,
se quiser brincar com a morte,
foge antes de ela chegar.

Bate forte, coração, bate ainda,
esquece a dor na berlinda
e navega pelo mar.
A estrada se abre à frente
pelos pés a caminhar.

Bate fundo, coração, bate bem alto,
corre o mundo pelo asfalto,
canta afinado em contralto,
samba no pé pra esquentar,
e a mágoa abraça a alegria,
seja de noite ou de dia.

Bate sempre coração, não esmoreça,
nem esqueça deste peito
que teima em te dar abrigo.
Dá-lhe calor, muito amor,
e não esqueça que esse peito,
coração, é teu amigo!


WILMA LÚCIA DA SILVA MORAES

22/06/16

PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015

A Pizza Literária de 16 de junho de 2016 apresentou como destaque a entrega do Prêmio Flerts Nebó:
Primeiro Lugar: Walter Whitton Harris (“Dia da Papoula”).
Primeira Menção Honrosa: Suzana Grunspun (“Escritores e Personagens”).
Segunda Menção Honrosa: Sérgio Perazzo (“O Palhaço”).
Os textos em prosa apresentados nas Pizzas Literárias durante o período de agosto de 2014 a julho de 2015 receberam muitos elogios dos avaliadores sobramistas: Sérgio Augusto Munhoz Pitaki (PR), Eliane Morais Araujo (MA) e Hugo Costa Filho (MS). 

As prosas premiadas foram editadas no “O Bandeirante” de junho já postado nesse Blog.

Parabéns a todos!

DIA DA PAPOULA


Há 100 anos eclodiu a Primeira Guerra Mundial com a invasão austro-húngara da Sérvia em 28 de julho de 1914. Foi um conflito inglório com 10 milhões de soldados e 7 milhões de civis mortos, além de 20 milhões de feridos e mutilados. Para se ter uma noção do número de vítimas, a população total do Brasil em 1914 era de 38 milhões que, na atualidade, representaria a quase totalidade da população do Estado de São Paulo.

Nos países aliados, em especial os de língua inglesa, o “Dia da Papoula” é um dia muito especial, conhecido como “Poppy Day”, e corresponde ao dia 11 de novembro. É o dia em que são realizadas cerimônias em memória dos soldados tombados nas duas Grandes Guerras do século passado, de 1914-1918 e de 1939-1945.

A data de 11 de novembro coincide com o fim da Primeira Guerra Mundial, quando foi assinado o Armistício em Compiègne, na 11ª hora, do 11º dia, do 11º mês de 1918, após ocorrer o colapso do exército alemão em todas as frentes de batalha. Foi a guerra das trincheiras, com um número impressionante de baixas, que nunca deverá ser esquecido: 37 milhões entre mortos e feridos. Este foi um levantamento feito pelos Ministérios da Guerra dos países participantes. Jamais se saberá precisamente o número de inválidos, cegos e outros incapacitados para a vida devido ao conflito.

No entanto, a Primeira Grande Guerra foi apenas um ensaio para a Segunda, na qual, apenas o número de judeus e de outros grupos minoritários mortos chegou a equivaler aos que morreram na Primeira Guerra. A catástrofe gerada pela Segunda Guerra Mundial ainda se reflete no século XXI. Mesmo assim, a memória de muitos é curta e ameaças de novos conflitos mundiais permanecem. Por isso, é tão importante cultuar, para não olvidar, os tombados naquelas duas grandes guerras.

As batalhas travadas na região de Flandres, uma planície subdividida entre Bélgica, França e Holanda, foram verdadeiras carnificinas. A cidade de Ypres foi palco de conquista, reconquista, destruição quase total, gás venenoso e milhares de óbitos. Em 1915, um oficial-médico canadense, John McCrae, após ver muitos de seus amigos caírem nos campos de papoulas vermelhas das planícies de Flandres, escreveu um poema considerado o mais famoso da Primeira Grande Guerra, e que fez com que a papoula se tornasse o símbolo dos soldados mortos em batalha. Entretanto, ele não foi morto em campo. McCrae faleceu de pneumonia em 1918, com 46 anos de idade. Traduzo livremente seu poema:

Nos campos de Flandres as papoulas se dobram ao vento
Entre as cruzes, fila após fila,
Que marcam nosso lugar; e no céu
Cantando heroicamente, as cotovias voam
Quase não ouvidas entre canhões a toar em terra.

Somos os Mortos. Há poucos dias
Vivíamos, sentíamos a aurora, víamos o pôr-do-sol,
Amávamos e éramos amados, e agora estamos deitados
Nos campos de Flandres.

Assumam nossa luta com o inimigo:
A vocês, com mãos débeis lançamos
A tocha; para ser de vocês para segurar ao alto.
Se romperem a fé depositada por nós que morremos
Não dormiremos em paz, embora papoulas cresçam
Nos campos de Flandres.

O primeiro “Dia da Papoula” foi celebrado em 1921 e papoulas foram levadas de Flandres para a Inglaterra, decisão influenciada pelo poema de McCrae. Mais tarde, veteranos incapacitados abriram uma fábrica de papoulas artificiais que são vendidas, anualmente, no “Dia da Papoula”. Todos usam a papoula vermelha presa à sua roupa.

Este ano, em homenagem aos mortos na Primeira Grande Guerra, quase um milhão de papoulas de cerâmica foram postas no fosso que circunda a Torre de Londres, produzindo o efeito de “sangue em terra e mar”.

Na Catedral Anglicana de São Paulo, no domingo mais próximo de 11 de novembro, comparecem prelados de vários credos, representantes militares do Brasil e de outros países tradicionalmente aliados, e das Legiões Britânica, Francesa e Belga. São lidos os nomes dos membros da comunidade inglesa em São Paulo que deram suas vidas nas duas guerras mundiais. É uma cerimônia muito emocionante.

A arrecadação com a venda das papoulas artificiais vai para o Fundo Haig, nome dado em homenagem ao Marechal-de-Campo Sir Douglas Haig, comandante das forças aliadas na frente oeste durante a Primeira Guerra. Este fundo levanta recursos para ajudar mutilados de guerra, geralmente de outras guerras que não as supramencionadas, porque a maioria dos sobreviventes daquelas já se foi.

O Presidente da Legião Britânica finaliza a cerimônia, após ter lido os nomes dos mortos, com as seguintes palavras: “Eles não envelhecerão, como foi deixado para nós envelhecermos. A idade não os cansará, nem os anos os condenarão. No crepúsculo e ao amanhecer, sempre nos lembraremos deles”.

Em novembro de 1918, uma professora americana e humanista, Moina Michael, escreveu um poema-resposta ao de McCrae, intitulado “Manteremos a Fé”, que traduzo também livremente:

Oh! vocês que dormem nos campos de Flandres,
Durmam bem — para se erguer renovados!
Pegamos a tocha que nos jogou
E segurando-o ao alto, manteremos a Fé
Por Todos que morreram.

Também apreciamos as papoulas vermelhas
Que crescem nos campos de lutas gloriosas;
Parecem sinalizar aos céus
Que o sangue de heróis não desvanece
Mas dá cor acentuada
À flor que permeia entre os mortos
Nos campos de Flandres.

Usaremos em honra aos nossos mortos
A tocha e a papoula vermelha.
Não receiem que tenham falecido em vão;
Ensinaremos a lição que nos demonstraram
Nos campos de Flandres.
Nos campos de Flandres onde lutamos.

               WALTER WHITTON HARRIS
VENCEDOR DO PRÊMIO FLERTS NEBÓ 2015
2014



17/06/16

Leia a nova edição de O BANDEIRANTE

O BANDEIRANTE - nº 283 - Junho de 2016
(clique na capa para download)


Nesta edição você encontrará textos literários destes autores:
 Walter Whitton Harris, José Alberto Vieira, Sérgio Perazzo, 
Suzana Grunspun e Josef Tock 

Veja também nesta edição informações sobre outras atividades da SOBRAMES-SP
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O jornal O BANDEIRANTE é interativo: através dos links da edição em PDF 
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26/05/16

ÚLTIMO ATO


A porta bate
E deixou atrás de ti
O perfume do fim.

Trêmula me levanto
Fecho as janelas
Apago o abajur.

Sufoco o meu pranto
Foi-se o encanto
Veio a escuridão
O mais negro fim...

O pano desceu
Em cena ficou apenas
O que restou de mim.


VERA LÚCIA TEIXEIRA
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